Para o Google, o uso adequado de IA no site da sua empresa não vai contra as diretrizes. Mas a página em que o Google orienta donos de site passou a dizer, em 1º de outubro de 2026, que alguém precisa conferir o texto feito com IA antes de publicar. A frase acrescentada à orientação da Pesquisa Google sobre conteúdo de IA generativa é esta: “It is critical to manually factcheck and review all AI-generated content for accuracy and trustworthiness before publishing”. Quer dizer que é fundamental checar os fatos e revisar à mão todo conteúdo gerado por IA, quanto à precisão e à confiabilidade, antes de publicar.
O texto novo está só na versão em inglês, com a data de 1º de outubro no rodapé. A versão em português ainda é a de 31 de dezembro de 2025 e não traz a novidade. As traduções deste texto são livres. A regra de spam citada pela página não mudou: a política continua com a data de 28 de agosto de 2026.
O que a página do Google sobre conteúdo gerado por IA acrescentou
A mudança está na seção sobre precisão, qualidade e relevância: são três frases novas e uma reescrita. Primeiro, a página explica que os modelos de IA generativa não buscam fatos; eles preveem a sequência de palavras mais provável a partir dos dados com que foram treinados. Por isso, o que a IA escreve pode ter erros, que a página chama de alucinações. Daí a recomendação de checagem manual.
A frase reescrita trata dos metadados, textos que o Google pode mostrar nos resultados da busca. Antes, a página dizia que o cuidado com precisão incluía esses campos. Passou a dizer que a revisão manual vale também para eles. Entram aí o título da página, que aparece como link no Google, e a meta description, o resumo que pode aparecer embaixo desse título. Também entram os dados estruturados (o código que informa ao Google preço, endereço ou horário) e o texto alternativo das imagens, a descrição da foto gravada no código. Se o painel do site preenche esses campos com IA, conferir só o texto principal deixa de fora o que pode aparecer para quem pesquisa.
Fora dessa seção, a página sobre IA generativa ficou como estava. A introdução já avisava, antes de outubro, que usar IA para gerar muitas páginas sem acrescentar valor pode violar a política de spam sobre abuso de conteúdo em escala. A página trata de site na Pesquisa Google e não fala de Perfil da Empresa, Instagram ou outras redes.
Segundo o registro de mudanças da documentação, a página sobre IA generativa recebeu informações das diretrizes dos avaliadores de qualidade. São pessoas que ajudam o Google a medir como a busca está se saindo, e a própria página sobre IA generativa avisa que as notas delas não influenciam diretamente o ranking. A página de conteúdo útil também foi atualizada no dia 1º. Ganhou um aviso contra autoria falsa e uma seção com critérios desses avaliadores, em que produzir muito texto com IA sem supervisão manual conta como pouco ou nenhum esforço.
O Google penaliza conteúdo de IA? O que a documentação não diz
A página sobre IA generativa não fala em punição nem diz que um texto cai na busca por ter sido feito com IA. No fim, remete a um post de 2023 do blog do Google para sites que responde à pergunta de frente: “Appropriate use of AI or automation is not against our guidelines”. O uso adequado de IA ou automação não vai contra as diretrizes. O mesmo post chama de violação das políticas de spam usar automação, IA incluída, com o objetivo principal de manipular o ranking.
O que as políticas de spam miram é outra coisa. A seção sobre abuso de conteúdo em escala define a prática como gerar muitas páginas com o objetivo principal de manipular o ranking, sem ajudar quem lê. Diz também que ela costuma produzir grande volume de conteúdo sem originalidade e com pouco ou nenhum valor, seja qual for a forma de produção. Gerar muitas páginas com IA sem acrescentar valor é um dos exemplos. Para sites que violam as políticas, a consequência descrita é aparecer mais abaixo nos resultados ou nem aparecer.
Revisão humana na prática: os 20 anúncios de uma imobiliária
Imagine uma imobiliária pequena de bairro, com um site em que cada imóvel tem página própria. O dono, Sérgio, cola numa ferramenta de IA as fichas dos 20 imóveis da carteira, com endereço, preço, quartos, vagas e forma de pagamento. Pede a descrição, o título da página e a meta description de cada um.
Antes de subir os textos, ele confere cada um contra a ficha. No apartamento de dois quartos e uma vaga, a descrição fala em “70 m² de área útil” e diz que o imóvel “aceita financiamento”. A ficha não tem metragem e diz “pagamento à vista”. Na véspera, alguém tinha perguntado pelo WhatsApp da imobiliária se esse apartamento aceita financiamento, e Sérgio respondeu que não. O título repete os dois erros, “Apartamento 2 quartos, 70 m², aceita financiamento”, e a meta description também. Outras três descrições trazem metragem que as fichas não informam. E o texto alternativo de uma foto da cozinha fala em “sala com varanda”.
Sérgio liga para o proprietário, que confirma 58 m² de área privativa, e anota a medida na ficha. O título fica “Apartamento 2 quartos, 58 m², venda à vista”, e a meta description sai assim: “Apartamento de 2 quartos com 1 vaga e 58 m² de área privativa. Pagamento à vista. Agende sua visita.” Nas outras três descrições, enquanto a medida não estiver na ficha, ele tira a metragem do texto e do título. Na foto, “sala com varanda” vira “cozinha do apartamento”.
Dias depois, um conhecido sugere usar a mesma ferramenta para criar umas 300 páginas de “casa à venda em” mais o nome do bairro, inclusive onde a imobiliária não tem nada à venda. Isso lembra o exemplo da política de spam: muitas páginas feitas para aparecer na busca, sem nada para quem chega. Os 20 anúncios descrevem imóveis que existem e batem com a ficha.
Sérgio publica os 20 anúncios corrigidos e descarta as 300 páginas. Na imobiliária, a regra passa a ser esta: descrição feita com IA só vai ao ar depois de conferida com a ficha. O que a ficha não traz fica fora do texto, do título e da meta description.
O que mais conferir antes de publicar um texto feito com IA
Se o site da imobiliária marca preço e endereço em dados estruturados, o valor do código precisa bater com o anúncio corrigido. Um preço antigo ali pode aparecer no Google mesmo com o texto certo na página. A página sobre IA generativa pede ainda que a marcação siga as regras do Google e seja validada.
A autoria também entra na conferência. A página de conteúdo útil recomenda informar quem escreveu quando o leitor espera isso e passou a chamar de engano inventar perfis de autor, com foto gerada por IA, nome inventado ou credencial falsa. Os anúncios da imobiliária saem assinados por Sérgio, que responde por eles.
A página sobre IA generativa sugere contar ao leitor como a IA foi usada, e a de conteúdo útil fala em fazer isso quando alguém razoavelmente esperaria saber. Na Pesquisa, fica como recomendação, sem formato definido. Quem vende pelo Google Merchant Center, onde lojas cadastram produtos para o Google, tem regra própria e obrigatória. Lá, imagens geradas por IA levam um metadado específico, e título e descrição de produto gerados por IA são enviados à parte e rotulados como tal.
Quando a resposta sai direto para o cliente
A pergunta da véspera sobre o financiamento poderia ter sido respondida por uma IA no WhatsApp da imobiliária. Um agente de IA monta a resposta do jeito que a página do Google descreve, prevendo palavras, e no WhatsApp essa resposta chega na hora a quem perguntou, sem revisão. Passar a um agente de IA do AgenteZap só a ficha conferida ajuda, mas não impede que ele invente um “aceita financiamento”. Por isso essa pergunta é das primeiras a testar antes de liberar o atendimento.
