Atendimento no WhatsApp

Atendimento humanizado: o que é e como fazer no WhatsApp, com ou sem IA

Atendimento humanizado trata o cliente pela situação que ele contou. Veja exemplos de mensagens no WhatsApp e o que muda quando quem responde é uma IA.

Mulher de cabelo cacheado escuro com mechas grisalhas olha o celular atrás de um balcão de madeira com dois sapatos sociais marrons, um com a sola solta; oficina ao fundo.

No atendimento humanizado, quem responde trata o cliente pela situação que ele contou junto com o pedido. A empresa diz a verdade sobre o que dá para fazer e quando, e deixa alguém por perto para resolver o que o caso pedir.

O oposto é a conversa fria: a resposta que trata do assunto e passa por cima do que a pessoa contou. Ela sai tanto de alguém com pressa no balcão quanto de um recado automático.

A situação que vem junto do pedido

Junto com o pedido, a mensagem de um cliente pode trazer a situação de quem escreve: para quando precisa, para quem é, o que já tentou. Essa é a parte que uma resposta apressada deixa de lado, mesmo quando acerta tudo sobre o serviço.

Numa sapataria de consertos de bairro, quem responde o WhatsApp é a Ivone, entre um par e outro que recebe no balcão; o Odair, que é o dono, faz os consertos na bancada. Um cliente manda esta mensagem no domingo à noite, com a loja fechada:

“Boa noite. Tenho um sapato social com a sola gasta e um arranhão no bico, e vou usar no casamento da minha filha, no sábado. Vocês conseguem arrumar até lá?”

Na segunda de manhã, com o balcão cheio, a Ivone lê “sola” e “bico”, responde com o prazo de sempre da casa, que cai na outra segunda, sem dizer se dá para adiantar, e pede para o cliente trazer o sapato. A resposta está certa sobre a sapataria e deixa de fora a pergunta que ele fez, e ele precisa escrever de novo, agora só para saber se fica pronto antes do casamento.

A Ivone vai até a bancada, pergunta ao Odair se esse par cabe até sexta e volta ao celular:

“Para o casamento de sábado dá tempo, sim. Se o senhor trouxer o sapato até terça de manhã, o Odair põe sola nova e arruma o bico, e a gente entrega na sexta, até as 18h. Se aparecer alguma coisa no conserto, eu aviso o senhor por aqui antes disso.”

A primeira resposta saiu de uma pessoa com pressa e é a mesma que um recado automático mandaria na hora: correta sobre o serviço e calada sobre o sábado. A segunda só promete a sexta porque o Odair disse que dava; escrever “dá tempo” sem ir até a bancada seria outro jeito de esfriar a conversa, o de prometer o que ninguém confirmou. Pedir de novo o que a pessoa já escreveu, ou deixá-la sem saber com quem falar, esfria do mesmo jeito.

O atendimento humanizado não depende de quem responde se passar por gente. Se o cliente perguntar se está falando com um robô, a resposta é a verdade, e uma mensagem automática que leva em conta o casamento de sábado trata bem quem escreveu sem precisar fingir outra coisa.

A notícia que não dá para adiar

Quando o combinado não vai sair como foi prometido, a mensagem certa chega antes de o cliente perguntar, explica o que mudou em palavras simples e deixa a escolha com ele quando ainda há tempo de escolher.

O cliente deixa o sapato na terça de manhã. Na quarta à tarde, o Odair começa pelo bico e vê que o arranhão é mais fundo do que parecia no balcão: ele testa a cor num canto, e nesse par ela não pega. A sola nova sai na sexta, como combinado. O bico, do jeito que a Ivone descreveu na segunda, não sai.

É aqui que o atendimento humanizado dá mais trabalho. Guardar a novidade para a hora da entrega pouparia a sapataria de uma conversa chata e deixaria o cliente, na sexta à tarde, sem alternativa a não ser aceitar o que viesse. O Odair conta para a Ivone, e ela escreve na mesma tarde, antes de o cliente perguntar qualquer coisa:

“Boa tarde! O Odair começou o seu sapato e viu que a cor nova do bico não pega igual à do resto do couro, e o arranhão ainda ia aparecer de perto. Na sexta, até as 18h, a gente consegue entregar com a sola nova e o bico só limpo e engraxado, ou escurecer o par inteiro um tom, sem custo a mais, para o bico não destoar. Qual das duas o senhor prefere?”

As duas saídas são as que cabem antes do sábado, e quem escolhe é quem vai usar o sapato no casamento. Mudar o serviço por conta própria e avisar no balcão seria mexer num combinado que é dos dois, e o Código de Defesa do Consumidor trata o orçamento aprovado como compromisso que só muda por acordo entre as partes.

O cliente responde em poucos minutos que prefere o par inteiro mais escuro, busca o sapato na sexta à tarde e, na segunda depois do casamento, recebe da Ivone uma pergunta sobre como foi o dia.

No papel preso a cada par, a Ivone agora anota a data que o cliente contou na conversa, e o Odair organiza a bancada por esses papéis, começando pelos pares com compromisso mais perto. Com o sapato do casamento no começo da fila, o problema da cor teria aparecido na terça, e o cliente teria um dia a mais para pensar.

Para saber se as suas mensagens andam frias, vale reler algumas conversas do WhatsApp da semana do lado de quem escreveu. Em cada uma, o primeiro sinal é o que o cliente contou além do pedido e se a resposta usou isso. Os outros são as perguntas que ele precisou fazer duas vezes, como a do sábado naquela segunda-feira, e as promessas que saíram antes de alguém confirmar. Quando a mesma resposta fria aparece em várias conversas, a pergunta útil é o que faltava à mão de quem respondeu: com o balcão cheio, saber se o par cabia até sexta exigia ir à bancada, e na primeira resposta a Ivone não foi. Essa releitura mostra o que a loja escreveu; a impressão que a conversa deixou só o cliente conta, e para perguntar também há método: pedir uma nota depois de atender e agir quando ela vem baixa.

Dá para ter atendimento humanizado com mensagem automática ou IA?

Dá, quando o recado automático ou as instruções do agente de IA mandam a resposta levar em conta a situação que o cliente contou e deixam claro o que só uma pessoa da empresa resolve. Um recado de fora do horário que diz em que dias e horários alguém lê as mensagens já leva em conta quem escreve com a loja fechada. Num agente, vale escrever nas instruções que a situação contada entra na resposta, numa linha como “se o cliente disser para quando precisa do conserto, fale dessa data e diga que a Ivone confirma se cabe no prazo”. A instrução também não libera promessa: data, troca ou devolução de dinheiro só saem depois que alguém da empresa confirmou.

A notícia ruim da quarta sai de uma pessoa, e qualquer reclamação também vai para o Odair ou para a Ivone. Quando a reclamação chega, o agente só precisa dizer ao cliente quem vai responder e por onde, e isso depende de montar a passagem da conversa para uma pessoa antes de precisar dela, porque é difícil improvisar esse caminho na hora. Para quem pergunta se está falando com uma pessoa, vale uma linha nas instruções pedindo que o agente diga a verdade.

A mensagem do casamento chegou no domingo à noite, com a sapataria fechada. Recebida pelo AgenteZap, que põe um agente de IA para responder no WhatsApp, essa mensagem teria uma resposta com o tom e os limites que a sapataria tivesse escrito nas instruções. Com a regra do prazo entre elas, a resposta poderia falar do sábado e deixar a confirmação com a Ivone, e só um teste mostra se o agente responde assim.

Se a Ivone marcasse o horário da sapataria no painel do agente, ligasse a mensagem de fora do horário e escrevesse nela os dias e horários em que atende, a primeira resposta do domingo à noite começaria por esse aviso, e o agente seguiria respondendo ao pedido do cliente. A releitura das suas conversas já rende o material para um primeiro teste. Colada no simulador do AgenteZap sem o nome e o telefone do cliente, uma mensagem com uma data junto do pedido recebe uma resposta que fala dessa data ou passa por cima dela, e é essa resposta que mostra quanto falta para dar a um agente de IA o jeito de falar e os limites da sua empresa.